Godheim
Willian Vailant. Insanamente cético, exageradamente preguiçoso, inconsequentemente critico, audaciosamente romântico, anonimamente revolucionário, desacorrentado do ordinário. Já tirou sururu de pedra e sabe fazer fogueiras. Adora chupar ostras. Amigo dos texugos e inimigo das doninhas. Fotógrafo por hobby. Escreve por hobby. Mergulha por amor. Estuda e trabalha para pagar a pena.

"Estou morrendo, é verdade. 
Não da gripe que me assola, 
diga-se de passagem.”
"Mas quem clama por mim além de vós?
Ó colchão,
Ó sofá!”
"Deite e espere…" Ela sussurra. 
Novamente a Enfermidade leu minha mão.
"Estou morrendo…"

Alguém me cobra novidades, 
eis que respondo:
 ”Nenhum avanço por aqui, capitão!”
"Parece que não haverá nenhum,
 de qualquer forma.”
"Mas… Eu estou esperando!"
"Sei disso, todos nós estamos" 
Disse o Capitão da Humanidade.
"Estou morrendo…"

"Erga a folha, 
olhe-a sem piedade,
rabisque sua ideia como uma faca rabisca a carne.”
Disse o Poeta Violento.
Ergo-a então,
como dizia a instrução.
Apodrece exaustão no sangue.
"Estou morrendo…"
"Não de gripe no entanto,
pois esta me namora a tempos.”
"Febre então?" 
Sugeriu a Enfermidade.
"Não, não. Muita areia pro meu caminhão."
"Mesmo assim, vai morrer!" Gargalhou.
"Tão certo…" Sussurrei.

"Rasga! Rasga! Rasga!"
Um pombo tão branco quanto o papel
parte o céu e meu sentidos.
"Rasga!"
"Mas eu ainda nem comecei!" 
Protesto. Deveria aprender, protestar não funciona.
Levo a folha com tanto potencial
direto para o limbo.
A lixeira é tabelada. Uma cesta.
"Três pontos! Três pontos!" 
O pombo grasna.

"Sente aqui, meu amor. 
Espere sua vez, ela vai chegar.”
"Não quero! Não quero!" 
Berro. Deveria aprender, berrar não funciona.
"Vai chegar… Estou morrendo…"
"Sei disso." Meu Amor disse.
"Todos sabemos." 
Declararam todos sentados.
"Sente aqui a amor, porque em pé cansa."
"Estou morrendo…" Balbuciei e sentei.
Willian Vailant - Diálogos de um moribundo recém-nascido.

"Estou morrendo, é verdade. 

Não da gripe que me assola, 

diga-se de passagem.”

"Mas quem clama por mim além de vós?

Ó colchão,

Ó sofá!”

"Deite e espere…" Ela sussurra. 

Novamente a Enfermidade leu minha mão.

"Estou morrendo…"

Alguém me cobra novidades, 

eis que respondo:

 ”Nenhum avanço por aqui, capitão!”

"Parece que não haverá nenhum,

 de qualquer forma.”

"Mas… Eu estou esperando!"

"Sei disso, todos nós estamos" 

Disse o Capitão da Humanidade.

"Estou morrendo…"

"Erga a folha, 

olhe-a sem piedade,

rabisque sua ideia como uma faca rabisca a carne.”

Disse o Poeta Violento.

Ergo-a então,

como dizia a instrução.

Apodrece exaustão no sangue.

"Estou morrendo…"

"Não de gripe no entanto,

pois esta me namora a tempos.”

"Febre então?" 

Sugeriu a Enfermidade.

"Não, não. Muita areia pro meu caminhão."

"Mesmo assim, vai morrer!" Gargalhou.

"Tão certo…" Sussurrei.

"Rasga! Rasga! Rasga!"

Um pombo tão branco quanto o papel

parte o céu e meu sentidos.

"Rasga!"

"Mas eu ainda nem comecei!" 

Protesto. Deveria aprender, protestar não funciona.

Levo a folha com tanto potencial

direto para o limbo.

A lixeira é tabelada. Uma cesta.

"Três pontos! Três pontos!" 

O pombo grasna.

"Sente aqui, meu amor. 

Espere sua vez, ela vai chegar.”

"Não quero! Não quero!" 

Berro. Deveria aprender, berrar não funciona.

"Vai chegar… Estou morrendo…"

"Sei disso." Meu Amor disse.

"Todos sabemos." 

Declararam todos sentados.

"Sente aqui a amor, porque em pé cansa."

"Estou morrendo…" Balbuciei e sentei.

Willian Vailant - Diálogos de um moribundo recém-nascido.

"The History Of A Cheating Heart"
Damon Albarn
Everyday Robots
1,645 plays

Godheim turned 3 today! YAHOOOOO 

Godheim turned 3 today! YAHOOOOO 

mar-ciano:

 O vazio regia a dimensão sem imensidão. Olhando de fora deitado na areia da praia embaixo de uma árvore, Martin viu o céu; Um plano invariável e sem nuvens… Limpo. Com pontos brilhantes na imensidão épica, profunda como cinza. A lua estava como uma grande luminária japonesa, acidentada e coberta de cicatrizes. Sua sombra pálida deitava no tapete de pedras da praia elevando a mente de Martin para o manto sombrio, como numa apoteose de admiração. Escorado na árvore ele se coroou com as constelações e afogou sua consciência na brisa praiana. Seu destino parecia mais sombrio do que o céu daquela noite, mas aquele momento trouxe abonança para seus temores.
 Bem sabia que viveria só pela novidade, nada mais lhe interessava tanto quanto o susto da descoberta. Ele desistiu de deixar um legado… Enquanto jazia na areia ele se tornou excêntrico aos metódicos.
 Sua mente precipitou das estrelas e caiu em direção ao seu corpo, atando-o novamente na realidade. Enquanto jazia na areia, seu amigo Bob jazia embriagado ao seu lado…
 Enquanto jazia na areia, ele jazia igualmente embriagado.

Read More

(via hmseila)

 

Mila Manara!

Mila Manara!

"

É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.

É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.

"
Carlos Drummond de Andrade  (via p-o-e-s-i-a-s)

(via aexruiva)

 

Andrew Ferez (b. 1937), Russian-American artist, based in New York.